Esta é a sexta coleção que Pedro Lourenço desfila desde que começou efetivamente a sua marca — o primeiro desfile aconteceu em Paris em março de 2010. Desde então, muito mudou. Principalmente da última estação para esta. Pedro está no controle, emocional, da sua promissora carreira. Amadureceu e percebeu que, às vezes, as críticas podem indicar caminhos para o estilista, ainda mais quando são feitas por jornalistas internacionais do calibre de Suzy Menkes e Cathy Horyn. E a avaliação das resenhas das últimas temporadas, que admiravam a ambição, mas questionavam a equação usabilidade/preço das peças, já parece ter sido colocada em prática por Pedro nesse inverno 2012, apresentado na manhã desta sexta-feira (20.01) no SPFW (a coleção é a mesma do pre-fall 2012, mostrado em NY há dez dias). Pedro está também mais preocupado com o equilíbrio entre as formas. As estruturas pesadas saem de cena para darem lugar a um mix entre rígido e fluido. “As formas são totalmente novas. Consegui um trabalho de estrutura com intertela, mas também usei muito o corte em viés para essa shape mais arredondado.” A pele sintética, de mohair, também é uma novidade. “Já tinha usado pele natural, mas agora preferi usar essa de mohair que é feita numa tecelagem incrível italiana que faz coisas para a Prada e outras grifes. Lá você pode imitar praticamente tudo, raposa, vison, até pele de rato se você quiser. Eu escolhi a lhama por ter a ver com o tema, deserto. Na verdade, ainda estou descobrindo o que eu penso sobre o uso de peles.” (VITÓRIA GUIMARÃES)